Maior El Niño em 150 anos

Olhar apenas para o El Niño não é suficiente para entender o tamanho dos impactos que a região pode enfrentar

Diante da possibilidade do maior El Niño em 150 anos, um pesquisador da UFFS de Chapecó explica por que Santa Catarina está na rota dos piores eventos climáticos extremos.

O professor Pedro Murara, doutor em Geografia e presidente da Associação Brasileira de Climatologia, analisou registros de desastres ocorridos no Sul do Brasil entre 1991 e 2025. O levantamento usou dados do Atlas Digital do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.

Segundo o estudo, ciclones, chuvas intensas, vendavais, enxurradas e estiagens não são fenômenos novos na região. No período analisado, foram registrados cerca de três mil e duzentos episódios de vendavais e ciclones no Sul — quase quinze por cento de todos os desastres do período.

As estiagens e secas lideram o levantamento, com quase trinta por cento dos registros. Na sequência aparecem as enxurradas, com quase vinte por cento, e as chuvas intensas, com dezesseis por cento. Juntos, esses quatro tipos de desastre respondem por cerca de oitenta por cento de todas as ocorrências nos três estados do Sul.

Para o pesquisador, os dados mostram que a região convive historicamente com dois extremos opostos: excesso e falta de água. No Rio Grande do Sul, por exemplo, estiagens e secas somaram mais de quarenta por cento dos registros estaduais, seguidas por enxurradas, chuvas intensas, vendavais e ciclones.

Murara explica que a posição geográfica do Sul favorece o encontro de diferentes sistemas atmosféricos. A umidade da região, o relevo e a rede de rios também influenciam a intensidade das chuvas e os impactos dos desastres.

Quanto ao Super El Niño, o professor afirma que o fenômeno tende a aumentar a probabilidade de chuvas mais fortes no Sul do país. Mas ele destaca que o El Niño, sozinho, não determina a ocorrência dos eventos extremos — ele atua dentro de um conjunto de condições atmosféricas que pode intensificar certos fenômenos. Por isso, segundo o pesquisador, olhar apenas para o El Niño não é suficiente para entender o tamanho dos impactos que a região pode enfrentar.

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