A Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul foi palco de um grande treinamento militar entre Brasil e Argentina. O Exercício Combinado Arandu 2026 mobilizou 2,8 mil militares e mais de 600 viaturas na região de Rosário do Sul. Do total, 2,4 mil são do Exército Brasileiro e 400 do Exército Argentino.
O objetivo é fortalecer a cooperação e a integração entre as Forças Armadas dos dois países. As atividades aconteceram no Campo de Instrução Barão de São Borja (CIBSB), com tropas blindadas, aeromóveis, paraquedistas e de operações especiais.
Planejamento e treinamento conjunto
Brasileiros e argentinos atuaram juntos em uma estrutura de estado-maior combinado, planejando e executando operações em cenários hipotéticos de combate. O treinamento teve várias fases:
- assalto aeromóvel e paraquedista;
- manobras de forças blindadas e mecanizadas;
- ações de forças de operações especiais;
- coordenação de apoio de fogo e logística integrada.
O Arandu está previsto nos acordos bilaterais de defesa entre os dois países. A ideia é padronizar procedimentos, melhorar o apoio logístico mútuo e consolidar a doutrina de emprego de forças combinadas na América do Sul. Segundo o Exército Brasileiro, o treinamento também fortalece os laços de amizade entre as nações e ajuda a manter a paz e a segurança na faixa de fronteira.
Blindados e aeronaves em campo
Do lado brasileiro, entraram em ação os carros de combate Leopard 1A5 BR, as viaturas blindadas Guarani e Centauro II e o Sistema de Mísseis e Foguetes Astros. O Exército Argentino levou os carros de combate TAM 2C-A2 e as viaturas Stryker 8×8.
No ar, o apoio ficou por conta do cargueiro KC-390 Millennium, da Força Aérea Brasileira, e do avião CASA C-212, da frota argentina.
Combate simulado com laser
Para reproduzir um confronto de forma segura, os militares usaram dispositivos de simulação e engajamento tático. Emissores e receptores a laser instalados nos equipamentos, nas viaturas e até nos uniformes registraram o impacto dos disparos. O sistema Fire Marker simulou os efeitos visuais e táticos da artilharia pesada.
Um adversário de verdade
Militares da 1ª Brigada de Cavalaria Mecanizada fizeram o papel de “força oponente”, reproduzindo as ações e reações de um exército adversário. Com isso, as tropas precisaram tomar decisões em tempo real.
Em outra frente, a Engenharia fez a transposição de cursos d’água com portadas, garantindo que os blindados continuassem avançando diante dos obstáculos naturais.
Fechamento de um ciclo de três anos
A fase prática terminou em 16 de outubro e marcou o ápice do terceiro ciclo trienal de preparação militar entre os dois países. A cooperação começou em 2024, com conferências e reuniões de planejamento. Em 2025, evoluiu para simulações por software, no sistema COMBATER. Em 2026, chegou ao deslocamento real de tropas ao terreno.
Os ciclos anteriores foram realizados entre 2018 e 2020, no Brasil, e entre 2021 e 2023, na Argentina.

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