Santa Catarina definiu, após o fechamento das convenções partidárias e o prazo final de registro de candidaturas na Justiça Eleitoral, os 13 nomes que vão disputar as duas vagas catarinenses ao Senado Federal nas Eleições 2026. Menos visível ao eleitor, mas igualmente estratégica, é a definição dos suplentes: cada chapa ao Senado é formada por um titular e dois suplentes, que podem assumir o mandato em caso de renúncia, afastamento, licença ou morte do titular — situação que, na história recente de Santa Catarina, já se mostrou mais do que hipotética, como no caso da própria Ivete da Silveira, que assumiu definitivamente uma cadeira após a renúncia de Jorginho Mello. Por trás de cada indicação de suplência há, em geral, uma equação política própria: acordos entre partidos coligados, tentativas de ampliar capilaridade regional, resgate de lideranças históricas ou simples reforço de presença territorial. Veja, a seguir, quem são os suplentes de cada um dos 13 candidatos catarinenses ao Senado e o que essas escolhas revelam sobre os bastidores da disputa.
1. Afrânio Boppré (PSOL/federação Rede-PSOL)
1ª suplente — Luci Choinacki (PT): É o nome de maior peso histórico entre todos os suplentes do estado. Ex-deputada estadual constituinte (1987) e quatro vezes deputada federal (entre 1991 e 2014), Luci é uma das principais lideranças da esquerda rural catarinense, ligada ao MST e ao Movimento de Mulheres Agricultoras. Sua indicação funciona como reforço de capilaridade no interior — território historicamente fraco para o PSOL — e sinaliza a unidade da “frente ampla” de esquerda (PSOL-PT) na disputa. Vale registrar que ela também responde, no currículo público, por uma condenação judicial de anos atrás relacionada a descontos irregulares no salário de uma ex-funcionária, episódio que tende a ser reciclado por adversários em campanha.
2ª suplente — Cida (Aparecida) da Silva (PT): Psicóloga de Laguna, é um nome de perfil técnico e regional, sem grande densidade política nacional. Sua função na chapa é mais simbólica que estratégica: reforça a presença feminina e a costura PT-PSOL no sul do estado, mas soma pouco poder de voto agregado por si só.
2. Ana Lúcia da Silveira Machado (UP – Unidade Popular)
1ª suplente — Jaqueline Machado/Almeida (UP): Quadro de base do partido, sem histórico eletivo relevante. Chapa de perfil essencialmente militante, sem pretensão de competitividade — a UP tradicionalmente usa o Senado como palanque ideológico, não como aposta de vitória.
2º suplente — Jorge Luiz Adão (UP): Mesmo perfil: militância partidária sem trajetória de mandato. A composição reforça o caráter propagandístico da candidatura, mais voltada a difundir pauta do que a disputar cadeira.
3. Antídio Lunelli (MDB)
1º suplente — Clenilton Pereira (União Brasil): Ex-prefeito de Araquari, sua indicação é resultado de barganha de bastidor: o União Brasil exigiu espaço na chapa majoritária de João Rodrigues (PSD) e, sem vaga entre titulares, recebeu a suplência. É típico exemplo de suplência como “moeda de troca” entre partidos coligados — o nome tem base eleitoral local, mas pouca projeção estadual.
2º suplente — Genésio Spillere (PP): Ex-prefeito de Nova Veneza e liderança de peso no sul catarinense, com “respeito conquistado em todo o Estado”, segundo a imprensa regional. Estava cotado inicialmente para a 1ª suplência de Lunelli, mas acabou realocado após pressão do União Brasil. Sua entrada reforça a presença do PP na chapa e amplia o alcance da coligação na região carbonífera/sul do estado.
4. Carlos Bolsonaro (PL)
1º suplente — Rafael Caleffi (PL): Ex-prefeito de São Lourenço do Oeste, é o contraponto regional ao candidato titular — que é carioca e mudou domicílio eleitoral para São José/SC em 2025 justamente para viabilizar a candidatura. Caleffi funciona como “fiador catarinense” da chapa, dando lastro de enraizamento a um candidato sem histórico político no estado.
2º suplente — Balduíno Rodrigues (PL): Nome de menor exposição midiática até aqui; sua função na chapa é consolidar a base partidária do PL fora dos grandes centros. A composição chama atenção porque a chapa nasceu de um racha interno — Bolsonaro se sobrepôs à pré-candidatura natural da deputada Caroline de Toni (que teve de migrar para outra vaga ao Senado), o que tensionou o PL catarinense em 2025.
5. Carol de Toni (PL)
1º suplente — Geraldo Wetzel Neto (Novo): Empresário e advogado de Joinville, filiado a partido diferente do da titular — sinal de aliança ampliada entre PL e Novo na chapa. Joinville é o maior colégio eleitoral do interior catarinense, então a escolha tem lógica eleitoral clara: buscar voto na região Norte/Nordeste do estado, onde De Toni tem menos capilaridade histórica.
2º suplente — Andrey Tomazi: Empresário do ramo imobiliário, de Blumenau — reforça a chapa no Vale do Itajaí, outro polo econômico decisivo. O padrão de ambos os suplentes (empresários locais, sem mandato prévio) indica uma estratégia de “capilaridade financeira e territorial” mais do que de força político-partidária própria.
6. Caroline Sant’Anna (PCO)
Suplentes ainda não definidos até o fechamento do registro. Candidatura de perfil estritamente doutrinário/testemunhal — o PCO historicamente não disputa a vitória, usando o Senado como tribuna.
7. Décio Lima (PT)
1ª suplente — Elaine Berger (PDT): Esposa do ex-senador Dário Berger, sua indicação amplia a aliança PT-PDT e resgata capital político de um nome tradicional da política catarinense (o próprio Dário já foi prefeito de Florianópolis e senador). É movimento claro de somar coligação e herança eleitoral de uma família com histórico consolidado na Grande Florianópolis.
2ª suplente — Fernanda Klitzke (PT): Empresária de Jaraguá do Sul — reduto historicamente conservador e de forte presença industrial. A escolha busca dar à chapa petista alguma penetração numa região onde o PT tradicionalmente tem desempenho fraco.
8. Esperidião Amin (PP)
1º suplente — Volnei Weber (MDB): Deputado estadual, venceu internamente a disputa pela vaga contra o ex-deputado federal Rogério “Peninha” Mendonça — que preferiu não levar o embate a votação. Weber abriu mão da reeleição à Alesc para assumir a suplência, numa aposta política clara de subir de patamar. A escolha tem lógica de aliança: Amin (PP) recebe um nome do MDB, equilibrando a coligação que também inclui Lunelli.
2º suplente — Eni Voltolini (ex-deputado): Natural de Corupá, com carreira construída em Joinville — escolhido para corrigir uma lacuna de representação da chapa PSD/MDB/Federação justamente na região Norte, tida como carente de protagonismo nesse arranjo. É movimento defensivo: tapar um buraco eleitoral evidente antes do fechamento das convenções.
9. Joaninha de Oliveira (PSTU)
1º suplente — Jocemir Adenilson de Souza (PSTU) e 2ª suplente — Adriana Farias Pereira (PSTU): Ambos são quadros internos do partido, sem histórico de mandato. Como nas demais legendas de esquerda revolucionária (PCO, UP), a chapa tem caráter primordialmente propagandístico e sindical, não competitivo.
10. Jeferson Rocha (PRD)
Suplentes ainda em definição pelo partido. Candidatura de perfil agropecuário, ligada a mobilizações do setor rural — inclusive atos de 2022 —, mas com estrutura de chapa (federação PRD/Solidariedade) que optou por lançar candidato único ao Senado, sem parceiro de chapa majoritária relevante até aqui.
11. Marcos Dorval (PSTU)
1º suplente — Marcos Becker (PSTU) e 2º suplente — Wagner Luiz Betto (PSTU): Chapa interna, sem histórico eletivo — reforça o padrão do PSTU de usar a disputa para consolidar quadros e presença institucional mínima, não para competir por votos expressivos.
12. Marlene Soccas (UP)
1ª suplente — Adriana Rio (UP) e 2º suplente — Jacson Santos (UP): Aos 92 anos, Marlene é a candidata mais idosa da disputa; os suplentes são militantes de base sem trajetória eleitoral própria — chapa de perfil semelhante à de Ana Lúcia (mesmo partido), reforçando presença ideológica da UP no pleito.
13. Túlio Pfuetzenreiter (Missão)
1º suplente — Comandante Edupércio Pratts (Missão) e 2º suplente — Diego Santos Vieira (Missão), advogado de Tubarão: O uso da patente militar no nome de urna do primeiro suplente segue o padrão de marketing eleitoral do partido Missão, que tem atraído perfis de segurança pública e forças armadas. A chapa é nova na disputa estadual — o próprio titular concorreu sem sucesso a vereador de Indaial em 2024 — e aposta em capilaridade regional (Tubarão, no sul) para ganhar competitividade.
Passadas as convenções e encerrado o prazo de registro de candidaturas, o quadro de suplências ao Senado por Santa Catarina ainda não está totalmente fechado: PCO e PRD seguem sem confirmar seus nomes, e ajustes de última hora não são descartados até a diplomação oficial dos candidatos pela Justiça Eleitoral. Ainda assim, o desenho já formado permite uma leitura clara do tabuleiro político catarinense para 2026: de um lado, suplências usadas como moeda de troca entre siglas coligadas, garantindo espaço a partidos que não emplacaram titulares; de outro, escolhas voltadas a tapar lacunas de representação regional ou resgatar nomes de peso histórico, como o da ex-deputada Luci Choinacki. Resta ao eleitor catarinense, que poderá votar em até dois nomes diferentes para o cargo, decidir não apenas quem ocupará as duas cadeiras em disputa, mas também — ainda que indiretamente — quem estará na fila para assumi-las.
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