A Isover, marca de isolantes térmicos e acústicos do grupo francês Saint-Gobain, deixou de fabricar lã de vidro no Brasil. A produção da unidade de Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, foi interrompida em 4 de julho de 2026, encerrando uma operação que existia desde 1951.
O desligamento faz parte de um plano de saída gradual da atividade industrial no local, acertado em dezembro de 2025 por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público de São Paulo e a Companhia Ambiental do Estado (Cetesb).
Do forno ao galpão
Depois de parar as linhas, a empresa iniciou a desmontagem dos equipamentos, incluindo o forno de fusão do vidro, peça central do processo. A previsão era concluir essa etapa ainda em julho.
O prédio, no entanto, não será abandonado. A ideia é adaptá-lo para receber, armazenar e distribuir produtos, que passarão a vir de fábricas do grupo em outros países. A Isover não informou de quais unidades virão as mercadorias.
Para o consumidor, a mudança deve ser pouco visível. A marca continuará à venda e atendendo o mercado brasileiro, agora como importadora.
Queixas de vizinhos e autuações
O acordo de 2025 foi precedido de reclamações de moradores do entorno sobre fumaça, cheiro forte, barulho e emissões. Entre 2023 e 2025, a Cetesb aplicou autos de infração à fábrica, alguns relacionados a odores e emissões atmosféricas.
Nesse período, a empresa fez melhorias no isolamento acústico, instalou tecnologias para reduzir emissões e alterou rotinas, como limitar certas atividades aos fins de semana e suspender descargas à noite. Na época, a Isover afirmou cumprir a legislação ambiental e disse que não havia comprovação de danos à saúde dos trabalhadores.
Empregos
Quando o processo começou, cerca de 100 pessoas trabalhavam diretamente na fábrica e outras 50 em funções indiretas, num total de aproximadamente 150. A empresa não detalhou quantos vagas foram extintas. Segundo ela, a transição foi gradual e, com a nova função logística, parte das atividades e da mão de obra deve permanecer no local.
O que vem depois
O encerramento total ainda vai levar tempo. Restam a retirada das máquinas, a destinação de materiais e resíduos e a avaliação ambiental do terreno, etapas que podem se estender até 2028.
A Isover afirma ter mais de 9 mil funcionários, presença em cerca de 39 países e aproximadamente 60 fábricas em 28 nações. A Saint-Gobain, dona da marca, tem cerca de 160 mil empregados e mantém outras operações no Brasil, de modo que a saída da produção em Santo Amaro não significa a retirada do grupo do país.

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