Cultos reunificam membros de gangues rivais em megaprisões de El Salvador 

A conversão e a prática religiosa têm unido até mesmo membros de gangues rivais históricas

Nas megaprissões de segurança máxima em El Salvador, uma nova rotina chama a atenção: cultos evangélicos, orações em grupo e louvores entoados por centenas de detentos.

Segundo relatos de ex-presos e reportagens internacionais, nos presídios de isolamento severo não há outros livros além da Bíblia. As poucas saídas das celas ocorrem para partidas rápidas de futebol no corredor ou para sessões de oração comandadas por pastores que também cumprem pena.

A conversão e a prática religiosa têm unido até mesmo membros de gangues rivais históricas, como a MS-13 e a Barrio 18. Dentro das prisões, ex-rivais hoje cantam juntos acompanhados por guitarras, trompetes e percussão.

Dados mostram que quase trinta e um por cento da população de El Salvador se identifica como evangélica — percentual ainda mais alto nas áreas periféricas, de onde vem a maioria dos detentos.

A linguagem religiosa também marca o governo do presidente Nayib Bukele. Para justificar as duras políticas de segurança e o encarceramento em massa, Bukele costuma classificar as gangues como “satânicas” e define a queda da violência no país como um “milagre”.

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