Um mês depois da queda do helicóptero que matou o cantor Rick, da dupla com Renner, e mais quatro pessoas na Serra catarinense, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou, nesta quinta-feira (22), o relatório preliminar sobre o caso. O documento mostra que a aeronave vinha apresentando problemas frequentes nos geradores e que um mecânico chegou a recomendar que ela voltasse à oficina para uma nova inspeção. Isso, no entanto, não aconteceu antes do acidente.
Falhas nos geradores
De acordo com o relatório, parte das falhas ocorreu depois de voos dentro de nuvens ou sob chuva, o que pode ter exposto os geradores à umidade. O mecânico que já havia trabalhado no helicóptero confirmou que os problemas eram constantes, mas disse não ter como afirmar se a umidade era mesmo a causa. As falhas diminuíam por um tempo e depois voltavam.
Em um dos casos, um dos geradores deixou de fornecer energia, e foi o outro que manteve a alimentação elétrica da aeronave e evitou que as telas do helicóptero se apagassem. Os registros de manutenção mostram que, em 25 de abril de 2026, o segundo motor-gerador de partida precisou ser trocado por um locado. O equipamento removido passou por reparos e foi reinstalado em 13 de maio, no lugar do primeiro, que passou para a segunda posição. A partir daí, as falhas passaram a surgir nos dois geradores, de forma alternada. Foi por isso que o mecânico orientou o retorno da aeronave à Organização de Manutenção.
Antes disso, em 30 de março, o helicóptero já havia feito um pouso de emergência em Ibiaçá, no Rio Grande do Sul, por causa de uma vibração considerada anormal. As manutenções feitas depois não encontraram problemas no rotor principal.
Dia do voo: alerta de chuva
A aeronave decolou da Costa Esmeralda, em Porto Belo, às 11h do dia 21 de setembro, com destino a São Joaquim. Cerca de duas horas depois, perdeu contato com as torres de controle, em meio a tempo fechado, com chuva e vendaval em vários municípios catarinenses. O relatório também registra as condições meteorológicas ruins e a redução da visibilidade nas proximidades.
No dia seguinte, por volta do meio-dia, os destroços foram encontrados na região de Santa Bárbara, na Serra catarinense, e a morte de todos os ocupantes foi confirmada.
Caixa-preta não foi testada
Outro ponto levantado pelo Cenipa é que o gravador de voz da cabine, a caixa-preta, não foi testado antes do voo. O manual do equipamento previa um teste de funcionamento antes do primeiro voo do dia, com o acionamento de um botão no painel. Mas essa etapa não constava no checklist encontrado com a aeronave.
O aparelho, instalado em 17 de maio de 2002, tinha capacidade para 30 minutos de gravação. Não foram encontrados áudios do acidente: o que estava registrado eram diálogos de uma manutenção feita em data desconhecida. Já o localizador subaquático (ULB) precisava de manutenção a cada dois anos, e a última foi em 12 de agosto de 2025, dentro do prazo.
As vítimas
Além de Rick, que tinha 59 anos e era natural do Tocantins, morreram o empresário, influenciador e palestrante Bruno Avelar, criador do projeto “O Poder do Network”; o videomaker Paulo Soares, que acompanhava Bruno nas viagens; o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo, natural de Acari, no Rio Grande do Norte; e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira.
O que diz a proprietária da aeronave
A JTA Empreendimentos e Urbanismo, dona do helicóptero PP-MGR, afirmou que o relatório preliminar não apresenta conclusões sobre as causas do acidente. Segundo a empresa, embora algumas publicações associem a queda ao mau tempo e a possíveis falhas mecânicas, o Cenipa não estabeleceu essa relação. A JTA também informou que o documento reúne elementos ainda em análise e confirma que a aeronave estava com os registros de manutenção em dia e com o Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade válido.
A investigação, conduzida pela Polícia Civil e pelo Cenipa, órgão da Força Aérea Brasileira, segue em andamento, sem nenhuma hipótese descartada. Até agora, não há conclusão oficial que atribua a queda a um fator específico. A JTA diz que continua colaborando com as autoridades e pede que as informações sejam tratadas com rigor, responsabilidade e respeito às vítimas e aos familiares.

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