Uma apuração exclusiva do jornal Gazeta do Povo revela que, entre os 222 candidatos ao Senado filiados a partidos com representação no Congresso, 98 defendem abertamente o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto apenas 18 se posicionam contra a medida. Outros 83 não se manifestaram ou não foram localizados pela reportagem.
O monitoramento, iniciado em abril, ganhou força após a quebra do sigilo das mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro — decisão do relator do caso Banco Master, ministro André Mendonça. O episódio intensificou a pressão de parlamentares e candidatos sobre o Senado, casa que detém a prerrogativa constitucional de abrir processos de impeachment contra membros da Corte. Atualmente, Moraes é alvo de 67 das 109 petições de impeachment em tramitação contra ministros do STF.

Neste pleito, cada estado elegerá dois senadores, totalizando 54 vagas — o equivalente a até dois terços da renovação da Casa.
A seguir, a posição dos candidatos ao Senado levantada pela Gazeta do Povo, estado por estado.
Acre — Márcio Bittar (PL) e Eduardo Velloso (Solidariedade) são favoráveis ao impeachment, associando a pauta a condenações ligadas aos atos de 8 de janeiro. Mara Rocha (Republicanos) prefere discutir uma reforma do STF, com mandato para ministros. Sérgio Petecão (PSD) e Gladson Cameli (PP) não se posicionaram; Inácio Moreira (PSOL) e Jorge Viana (PT) não foram localizados.
Alagoas — Davi Filho (Republicanos) defende o impeachment e cobra que o presidente do Senado paute o tema. Arthur Lira (PP) se declara neutro. Renan Calheiros (MDB) e Marina Candia (PSDB) não se posicionaram; Dr. Wanderley (MDB) não foi localizado.
Amazonas — Capitão Alberto Neto (PL), Plínio Valério (PSDB) e Wilson Lima (União) são favoráveis, todos criticando a falta de avanço das petições no Senado. Eduardo Braga (MDB) não se posicionou; Ismael Munduruku (Rede) e Professora Evany (PSOL) não foram localizados.
Amapá — Nenhum dos seis candidatos (Rayssa Furlan, Lucas Barreto, Randolfe Rodrigues, Alliny Serrão, Acácio Favacho e Capi) se posicionou ou foi localizado pela reportagem.
Bahia — João Roma (PL) é a favor, defendendo investigação com direito de defesa. Angelo Coronel (Republicanos) se diz neutro. Jaques Wagner (PT) é contra. Rui Costa (PT) não se posicionou; Marcelo Carvalho (Rede) e Professora Delliana (PSOL) não foram localizados.
Ceará — Capitão Wagner (União), Alcides Fernandes (PL) e Guilherme Theóphilo (Novo) apoiam o impeachment, este último seguindo diretriz nacional do partido. Cid Gomes (PSB) é contra. Luizianne Lins (Rede) não se posicionou.
Distrito Federal — Bia Kicis, Michelle Bolsonaro (ambas PL), Ronaldo Fonseca (PSD) e Sebastião Coelho (Novo) são favoráveis ao impeachment. Leila Barros (PDT) defende reforma no modelo de indicação de ministros. Erika Kokay (PT) é contra. Guto Felício dos Santos (PSDB) e Marley (Avante) não se posicionaram.
Espírito Santo — Evair de Melo (Republicanos), Leonardo Monjardim (Novo), Maguinha Malta (PL), Marcos do Val (Avante) e Sergio Meneguelli (PSD) apoiam o impeachment. Renato Casagrande (PSB) e Fabiano Contarato (PT) são contra. Paulo Hartung (PSD) e Rose de Freitas (MDB) não se posicionaram; Professor Fabian (PSOL) não foi localizado.
Goiás — Maioria favorável: Delegado Humberto Teófilo (Novo), Gracinha Caiado (União), Gustavo Gayer e Oséias Varão (PL), Gustavo Mendanha (PRD), Vanderlan Cardoso (PSD) e Zacharias Calil (MDB) defendem o impeachment. Alexandre Baldy (PP) não se posicionou; Isaura Lemos (PSB), Iure Castro (Cidadania) e Cintia Dias (PSOL) não foram localizadas.
Maranhão — Cidônio Gonçalves (PL) e Lahesio Bonfim (Novo) são favoráveis. Weverton Rocha (PDT) não se posicionou. Eliziane Gama (PT) é contra. André Fufuca (PP), Roseana Sarney (MDB) e Enilton Rodrigues (PSOL) não foram localizados.
Mato Grosso — Amplo apoio ao impeachment: Antônio Galvan (Avante), Carlos Fávaro (PSD) — que mudou de posição desde o primeiro levantamento —, Janaína Riva (MDB), Zé Medeiros (PL), Mauro Mendes (União) e Margareth Buzetti (PP). Pedro Taques (PSB) defende reforma, com mandato de 12 anos e limites de idade para ministros.
Mato Grosso do Sul — Capitão Contar e Reinaldo Azambuja (PL), Nelsinho Trad (PSD) e Roberto Oshiro (Novo, seguindo diretriz partidária) são favoráveis. Soraya Thronicke (PSB) é contra. Vander Loubet (PT) não se posicionou; Beto do Movimento (PSOL) e Valter da Comagran (PRD) não foram localizados.
Minas Gerais — Maioria a favor: Carlin Moura (Avante), Carlos Viana (PSD), Domingos Sávio (PL), Manoel Carvalho (MDB) e Marcelo Aro (PP). Marco Antônio Costa (Novo) também apoia, ligando o tema à responsabilização de PGR e AGU. Aécio Neves (PSDB) e Arcanjo Pimenta (MDB) preferem discutir reforma do STF, com mandatos fixos. Marília Campos (PT) defende apuração dentro das regras democráticas, sem se posicionar formalmente pelo impeachment. Áurea Carolina (PSOL) não se posicionou.
Pará — Delegado Éder Mauro (PL) e Zequinha Marinho (Podemos) são favoráveis, este último autor de assinatura em pedido de impeachment. Helder Barbalho (MDB), Celso Sabino (PDT), Chicão Melo (União) e Lívia Noronha (Solidariedade) não se posicionaram; Conti e Gizelle Freitas (PSOL) não foram localizados.
Paraíba — André Gadelha (MDB), Marcelo Queiroga (PL) e Major Fábio (Novo) apoiam o impeachment. Veneziano Vital (MDB), João Azevêdo (PSB) e Nabor Wanderley (Republicanos) não se posicionaram.
Paraná — Alexandre Curi e Cristina Graeml (PSD), Deltan Dallagnol (Novo), Filipe Barros (PL) e Karen Guerreiro (Missão) são favoráveis. Dr. Rosinha e Gleisi Hoffmann (PT) são contra.
Pernambuco — Carlos Sant’anna (Novo) e Mendonça Filho (PL) apoiam o impeachment. Marília Arraes (PDT), Humberto Costa (PT) são contra. Eduardo da Fonte (PP) e Túlio Gadelha (PSD) não se posicionaram; Paulo Rubem Santiago (Rede) não foi localizado.
Piauí — Antônio Barros (Novo), Antônio José Lira (Avante) e Tiago Junqueira (PL) são favoráveis. Ciro Nogueira (PP) é contra e Jorge Lopes (PSDB) se declara neutro. Demais candidatos não se posicionaram ou não foram localizados.
Rio de Janeiro — Carlos Jordy e Carlos Portinho (PL) e Hélio Secco (Missão) apoiam o impeachment. Marcos Dias (Podemos) prefere discutir reforma do STF. Marcelo Crivella e Waguinho (Republicanos) se declaram neutros. Benedita da Silva (PT), Mônica Benicio (PSOL) e Pedro Paulo (PSD) não se posicionaram.
Rio Grande do Norte — Coronel Hélio (PL) e Styvenson Valentim (Podemos) são favoráveis. Dra. Zenaide Maia (PSD) não se posicionou; demais candidatos não foram localizados.
Rio Grande do Sul — Amplo apoio: Frederico Antunes (PSD), Germano Rigotto (MDB), Marcel van Hattem (Novo) — que confirmou possível expulsão partidária de quem não seguir a diretriz —, Milton Cardoso (PSDB), Renato Jaguarão (Cidadania) e Ubiratan Sanderson (PL). Manuela D’Avila (PSOL) e Paulo Pimenta (PT) são contra.
Rondônia — Maioria favorável: Bruno Scheid, Fernando Máximo (PL), Mariana Carvalho (Republicanos), Silvia Cristina (PP), Luís Fernando (PSD) e Engenheiro Thúlio (Missão). Neidinha Suruí (PSB) e Luciana Oliveira (PT) defendem que o processo respeite o devido processo legal, sem apoio automático. Acir Gurgacz (PDT) não se posicionou; Aires Mota (PV) não foi localizado.
Roraima — Chico Rodrigues (PSB), Hélio Lopes e Nicoletti (PL), Pastor Isamar (União) e Teresa Surita (MDB) apoiam o impeachment. Hilton Xavier (Avante) se declara neutro. Helena Lima (PSD) não se posicionou; Bartô Macuxi e Mário Rocha (PSOL) não foram localizados.
Santa Catarina — Maioria favorável ao impeachment: Carlos Bolsonaro e Caroline De Toni (PL), Esperidião Amin (PP), Jeferson Rocha (PRD), Lunelli (MDB) e Túlio de Amorim (Missão). Décio Lima (PT) não se posicionou. Afrânio Boppré (PSOL) é contra.
São Paulo — Ampla maioria favorável: André do Prado (PL), Geraldo Rufino (Podemos), Guilherme Derrite (PP), Guto Schiavetto (Missão), Ricardo Salles (Novo) e Soninha Francine (Cidadania). Marina Silva (Rede) não se posicionou. Simone Tebet (PSB) é contra.
Sergipe — Alessandro Vieira (MDB), Rodrigo Valadares e Coronel Rocha (PL) e Delegado André David (Republicanos) apoiam o impeachment. Rogério Carvalho (PT) é contra. Demais candidatos não se posicionaram.
Tocantins — Coronel Nilton Santos (Novo), Eduardo Gomes (PL) e Eli Borges (Republicanos) são favoráveis. Alexandre Guimarães (MDB), Carlos Gaguim (União) e Vanderlei Luxemburgo (Podemos) não se posicionaram; demais não foram localizados.
De forma bem clara: muito mais candidatos se declararam a favor do que contra o impeachment de ministros do STF.
Segundo o próprio levantamento da Gazeta do Povo, dos 222 candidatos mapeados:
- 98 são a favor do impeachment
- 18 são contra
- 83 não se posicionaram ou não foram localizados
- O restante ficou em categorias intermediárias (neutro, defende apenas uma reforma do STF, ou quer discutir o tema sem cravar posição)
Balanço geral: maioria expressiva se declara a favor do impeachment
A análise do conjunto dos dados mostra uma tendência nítida entre os candidatos ao Senado nas eleições de 2026: entre os que efetivamente se posicionaram, o apoio ao impeachment de ministros do STF é amplamente majoritário. Dos 222 candidatos mapeados pela Gazeta do Povo, 98 declararam-se favoráveis à medida, contra apenas 18 que se opuseram — uma proporção de quase seis candidatos a favor para cada um contra. Ainda assim, uma parcela relevante, 83 no total, não se manifestou ou não foi localizada pela reportagem, o que representa quase 40% do universo pesquisado e deixa em aberto a possibilidade de o cenário se alterar até o fim da campanha. O levantamento também revela um recorte partidário claro: siglas como PL, Novo, PP, Republicanos, PSD, União e MDB concentram a maior parte dos posicionamentos favoráveis — em alguns casos por orientação oficial da legenda, como no Novo, que condicionou candidaturas ao Senado ao compromisso com o tema —, enquanto PT e PSOL reúnem a maioria das posições contrárias ou de silêncio sobre o assunto.
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