Perícia investiga queda de helicóptero que matou o cantor Rick e mais quatro pessoas em SC

Três corpos foram encontrados fora da aeronave e investigadores analisam se as portas se abriram no impacto; condições climáticas na Serra Catarinense também são investigadas como possível fator do acidente.

Urubici (SC) — A Polícia Científica de Santa Catarina e o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) abriram investigações formais sobre a queda do helicóptero que matou o cantor Rick Sollo, da dupla Rick e Renner, o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio e o copiloto Leopoldo, na Serra Catarinense. As cinco vítimas estavam a bordo de um Bell 430 que decolou de Porto Belo, no litoral norte do estado, na tarde de segunda-feira (21), com destino a São Joaquim.

A aeronave não chegou ao destino previsto e foi dada como desaparecida. Os destroços só foram localizados no dia seguinte, terça-feira (22), por volta do meio-dia, em área rural de difícil acesso em Urubici, após uma operação que mobilizou cerca de 40 bombeiros militares, viaturas 4×4, cães farejadores e drones com sensores térmicos. A localização contou com o apoio visual da tripulação do helicóptero Arcanjo 03, guiada pela última coordenada registrada pelo celular do cantor.

As portas e a dinâmica do impacto

Uma das principais linhas de apuração da perícia é a possibilidade de as portas do helicóptero terem se aberto no momento da queda. Três dos cinco corpos foram encontrados fora da aeronave — um dado que pode ajudar os investigadores a reconstituir como o acidente se desenrolou. Para isso, a Polícia Científica mobilizou equipes de Engenharia Forense, Medicina Legal, Antropologia Forense, Papiloscopia e Genética Forense, que analisam a posição dos corpos, o estado dos destroços e outros vestígios encontrados no local.

O fator climático

Especialistas em segurança operacional levantam a hipótese de que uma mudança nas condições do tempo tenha reduzido a visibilidade durante o voo, na região montanhosa e de vegetação fechada da Serra Catarinense. Imagens de satélite do dia do acidente mostraram nuvens carregadas sobre a área, algumas com grande desenvolvimento vertical — característica associada a condições meteorológicas mais severas. Segundo o gerente de segurança operacional João Lucas Neiva Lisboa, a perda de referências visuais pode desorientar o piloto, mas ele próprio ressalva que ainda não é possível afirmar que esse foi o fator determinante da queda.

O que ainda está em aberto

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) confirmou que a aeronave estava com a documentação regular, o que direciona parte da apuração para fatores operacionais, humanos e meteorológicos, sem descartar uma eventual falha mecânica. O Cenipa, por meio do Quinto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa V) — responsável também pelo Paraná e pelo Rio Grande do Sul —, vai investigar as condições meteorológicas no momento da queda, possíveis falhas mecânicas e questões humanas envolvidas no acidente.

Também chamou atenção um detalhe levantado por áudios obtidos pela imprensa: antes do desaparecimento, o cantor Rick teria planejado seguir para Rancho Queimado, município que não constava como destino final registrado do voo (São Joaquim). A discrepância é mais um ponto que a investigação deve esclarecer.

Os corpos das vítimas foram encaminhados ao Setor de Medicina Legal (SML), em Florianópolis, para exames de identificação. A divulgação oficial dos nomes será feita somente após a comunicação às famílias. Investigações do tipo conduzidas pelo Cenipa costumam levar meses até a publicação de um relatório final conclusivo.

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