Evangélicos usam trava no Congresso para forçar Lula a recuar em veto sobre conselhos tutelares

Bancada e oposição ameaçam travar orçamento de 2027 caso presidente não derrube vetos aplicados a projeto sobre conselheiros tutelares

Uma disputa envolvendo pautas morais e o calendário fiscal do país ganhou força no Congresso Nacional. Parlamentares evangélicos, somados a partidos de oposição, articulam usar sua força numérica para travar a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027 — e a exigência é clara: querem que o presidente Lula reverta vetos aplicados a um projeto que endurece regras para conselheiros tutelares.

Entenda a manobra política

O impasse gira em torno do Veto 27/2026, que barrou trechos de uma lei aprovada com ampla maioria na Câmara e no Senado. Como o regimento do Congresso determina que vetos presidenciais precisam ser analisados antes de qualquer matéria orçamentária em sessões conjuntas, o grupo está usando essa regra como moeda de troca — represando a pauta até conseguir o que quer.

O que exatamente foi vetado

Dois pontos centrais do projeto foram barrados por Lula. Um deles obrigava os conselheiros tutelares a seguir rigorosamente decisões de órgãos públicos, o que a oposição classifica como forma de conter excessos no exercício do cargo. O outro criava um rito administrativo específico para afastar conselheiros que descumprissem suas funções, assegurando direito de defesa no processo. Enquanto o governo defende que os vetos protegem a independência dos conselhos, parlamentares evangélicos argumentam que a ausência dessas regras abre espaço para atuação ideológica contra famílias.

O caso que virou bandeira da bancada

Para sustentar o discurso, a Frente Parlamentar Evangélica cita um episódio em Santa Catarina, em que um conselheiro tutelar teria sido afastado após pressionar escolas a alterar conteúdos pedagógicos já aprovados pelas secretarias de educação — chegando a mencionar prisão como forma de intimidação. O caso é usado como exemplo do que o grupo chama de “captura ideológica” dos conselhos.

Relógio contra o governo

A pressão ocorre em um momento delicado: o Palácio do Planalto tem até 31 de agosto para enviar ao Congresso a proposta orçamentária de 2027. Atualmente, 87 vetos presidenciais aguardam análise e travam a pauta legislativa — sem destravar essa fila, a LDO não pode avançar. Caso o impasse continue, o Orçamento pode chegar ao Legislativo sem parâmetros definidos, cenário que analistas apontam como sinal de fragilidade na articulação política do governo em temas sensíveis à base conservadora.





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