O presidente Lula (PT) reafirmou nesta sexta-feira (14) a intenção de conversar pessoalmente com Donald Trump para tratar da relação entre Brasil e Estados Unidos — incluindo um pedido direto para que o republicano não interfira nas eleições presidenciais brasileiras.
A fala ocorreu durante participação nos podcasts Não Inviabilize e As Cunhãs.
O recado de Lula a Trump
De acordo com o petista, os dois lados ainda não tiveram uma conversa cara a cara sobre o tema, mas o contato está sendo buscado:
“Eu estou tentando falar com ele. Estou tentando manter o contato com ele que eu quero ter uma conversa tête-à-tête com ele. E vou dizer: não se meta nos negócios do Brasil, sobretudo na questão da eleição.”
Na mesma entrevista, Lula voltou a rebater as justificativas usadas pelos Estados Unidos para aplicar tarifas sobre produtos brasileiros, chamando os argumentos americanos de “inverdades” e destacando a resposta brasileira por meio da Lei de Reciprocidade Econômica. Ele afirmou ainda que mantém boa relação pessoal com Trump, mas que setores da Casa Branca agem contra os interesses brasileiros.
Governo já reage ao tarifaço com lei de reciprocidade
A entrevista acontece um dia depois de o Governo Federal formalizar o início do processo para aplicar a Lei nº 15.122/2025 — a Lei de Reciprocidade Econômica — contra as tarifas unilaterais impostas pelos EUA.
O procedimento foi aberto em Brasília pela Secretaria-Executiva da Câmara de Comércio Exterior e comunicado ao governo americano pelo Ministério das Relações Exteriores.
A lei dá ao Brasil respaldo para adotar medidas comerciais contra países ou blocos que criem barreiras unilaterais a produtos brasileiros no mercado externo.
O que o Brasil pode fazer, na prática
Com base no Decreto nº 12.551/2025, que regulamenta a aplicação da lei, o MRE já pediu a abertura de consultas diplomáticas bilaterais. Caso não haja acordo, o governo brasileiro pode suspender, em resposta a barreiras impostas por outro país:
- Acordos comerciais
- Acordos de investimento
- Direitos de propriedade intelectual — como patentes e marcas — que beneficiem o país que aplicou as sanções
Segundo o Governo Federal, o objetivo das tratativas iniciadas nesta semana é reduzir ou eliminar os efeitos das tarifas americanas sobre a economia brasileira.

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