Casas Bahia demite 1,9 mil pessoas e fecha quase 300 lojas após prejuízo de R$ 3 bilhões

Rede varejista acelera plano de corte de custos; unidades em Santa Catarina, como Jaraguá do Sul e Blumenau, estão entre as afetadas

A Casas Bahia deflagrou um dos cortes mais duros de sua história recente.

Em apenas dois dias, a companhia demitiu cerca de 1,9 mil funcionários e fechou 298 lojas em todo o Brasil — entre elas, unidades em Jaraguá do Sul e Blumenau, em Santa Catarina. O movimento é resposta a uma sequência de resultados financeiros negativos que já dura mais de um ano.

Como foram as demissões

As dispensas aconteceram de forma escalonada:

  • Quinta-feira (13): 600 funcionários desligados
  • Sexta-feira (14): entre 1,3 mil e 1,4 mil desligamentos
  • Total: 1,9 mil pessoas, equivalente a 6,7% do quadro geral do grupo
  • Segundo fontes do setor, o número pode subir para até 3 mil demissões

Quase 30% das lojas fechadas de uma só vez

O fechamento de 298 unidades nesta sexta-feira (14) equivale a 28,7% de todos os pontos físicos da rede no país — considerando o total de pouco mais de mil lojas mapeadas em março. Entre as cidades atingidas estão Jaraguá do Sul e Blumenau.

Historicamente, a companhia fechava entre 20 e 30 lojas por ano em movimentos pontuais. A escala do fechamento atual não tem precedentes recentes na história da varejista.

Prejuízo bilionário explica a decisão

Os números mostram a gravidade da crise:

  • 1º trimestre de 2026: prejuízo líquido de quase R$ 1,1 bilhão, mais que o dobro do mesmo período do ano anterior
  • 2025: prejuízo consolidado não ajustado de R$ 3 bilhões, o triplo de 2024

Entre os fatores que pressionam o caixa da empresa estão o endividamento das famílias brasileiras, a queda no poder de compra e os juros altos, que encarecem as despesas financeiras. Em 2024, a Casas Bahia já havia entrado em recuperação extrajudicial para renegociar dívidas com bancos e converter debêntures em capital — medida que aliviou a dívida líquida, mas não impediu novas perdas.

Balanço atrasado e problemas no fluxo de caixa

A divulgação do balanço do segundo trimestre, inicialmente prevista para quarta-feira (12), foi adiada para esta sexta-feira (14), enquanto a empresa fecha os detalhes do plano de reestruturação. A teleconferência com investidores está marcada para o dia 17.

O mercado também aponta dificuldades operacionais na companhia, como atrasos no repasse de valores via PIX a lojistas do marketplace e tentativas de estender prazos de pagamento junto a fornecedores.

Apesar da crise, a receita bruta consolidada do primeiro trimestre cresceu 6,4%, somando R$ 8,8 bilhões — puxada pelo canal digital próprio, com destaque para o avanço de 26% nas vendas via Mercado Livre. Já as lojas físicas recuaram 1,8% e o marketplace, 0,6%. A margem bruta seguiu estagnada, em 30,3%.

Casas Bahia
Casas Bahia – Divulgação

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