Câmara de Jaraguá do Sul aprova moção por hospital estadual para doenças raras

Proposta do vereador Cani (PL) pede ao governo estudos de viabilidade para unidade que integraria assistência, diagnóstico genético, pesquisa e ensino

A Câmara Municipal de Jaraguá do Sul aprovou, na sessão desta segunda-feira (27), uma moção de autoria do vereador Cani (PL) que solicita ao Governo de Santa Catarina a realização de estudos para avaliar a viabilidade de um Hospital Estadual de Atenção Integral às Pessoas com Doenças Raras.

A moção não pede a construção imediata da unidade nem define o município que a receberia. O texto solicita que o Estado conduza estudos técnicos, epidemiológicos, assistenciais, estruturais, financeiros e orçamentários antes de decidir sobre a implantação.

O que a proposta prevê

Segundo o texto aprovado, o hospital seria integrado a um centro de pesquisa, ensino, diagnóstico genético e inovação em saúde, com capacidade para atender pacientes de todas as regiões do estado. Entre os pontos que o estudo deverá analisar estão:

  • a demanda estadual por atendimento especializado;
  • custos de implantação e manutenção;
  • modelo assistencial e estrutura para atendimentos ambulatoriais, hospitalares, multiprofissionais e de alta complexidade;
  • oferta de diagnóstico clínico, laboratorial e genético, medicina de precisão, aconselhamento genético, reabilitação e apoio psicossocial a pacientes e familiares;
  • criação de programas de formação de profissionais de saúde e de um centro de pesquisa e inovação na área.

A moção também sugere parcerias com universidades, hospitais universitários, instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil e centros de excelência nacionais e internacionais — com destaque para uma possível cooperação técnica com a Casa dos Raros, instituição de referência nacional localizada em Flores da Cunha (RS).

A escolha do futuro local, caso o projeto avance, deverá seguir critérios técnicos, epidemiológicos, logísticos, estruturais, populacionais e de acessibilidade.

Justificativa: milhares de catarinenses sem diagnóstico

Cani cita que existem mais de sete mil doenças raras catalogadas no mundo, das quais cerca de 80% têm origem genética. Com base em estimativas da Organização Mundial da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde — que indicam que essas doenças atingem entre 6% e 8% da população —, calcula-se que entre 480 mil e 640 mil catarinenses possam conviver com alguma condição rara.

Atualmente, porém, apenas cerca de 9,5 mil pacientes estão cadastrados nos serviços especializados do estado, número que sugere a existência de milhares de pessoas sem diagnóstico ou acompanhamento adequado.

O vereador também destaca a chamada “odisseia diagnóstica”: pacientes com doenças raras levam, em média, cinco anos para obter um diagnóstico definitivo, período em que circulam por diversos serviços e especialistas — o que pode atrasar o tratamento e afetar a qualidade de vida de pacientes e famílias.

Próximos passos

Com a aprovação, a Câmara encaminhará a moção ao governador e ao secretário estadual da Saúde, solicitando a adoção das providências necessárias para a realização dos estudos.

Quer receber as notícias mais importantes do dia, plantões de última hora e novidades da nossa região direto no seu celular? Clique aqui e entre no grupo de WhatsApp da Nossa FM

Para conferir mais reportagens, entrevistas exclusivas e tudo o que rola na nossa programação musical, continue navegando no Nossa FM e fique sempre bem informado.

Baixe nosso app clicando >>>> NOSSA FM

Veja também

Nossa Região