Contra o relógio: batalha contra linfoma de Hodgkin

Família de Jaraguá do Sul corre para bancar tratamento de menina de 12 anos após Justiça suspender fornecimento de remédio

Uma corrida contra o tempo mobiliza moradores do bairro Baependi, em Jaraguá do Sul. Maria Isabela, de 12 anos, aluna do 7° ano da Escola Rodolpho Dornbusch, na Vila Lalau, precisa receber até o dia 19 de agosto uma nova dose de brentuximabe vedotina — medicamento de imunoterapia essencial ao seu tratamento contra o linfoma de Hodgkin e que não é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Cada aplicação custa cerca de R$ 38 mil.

A menina passou por um transplante de medula óssea em maio e está afastada da escola por licença médica até dezembro. O uso do brentuximabe vedotina foi indicado pela equipe médica para o tipo específico de linfoma que ela enfrenta, e as doses precisam ser aplicadas a cada 21 dias, sem intervalos maiores, para que o tratamento mantenha a eficácia.

Para acompanhar de perto o tratamento da filha, Daniela deixou o emprego e hoje está desempregada, dedicando-se integralmente aos cuidados com Maria Isabela. Sem renda fixa, a família depende da solidariedade da comunidade para conseguir manter a continuidade das aplicações.

Vitória na Justiça revertida por recurso

A família chegou a garantir judicialmente o direito ao fornecimento gratuito da medicação. A conquista, porém, durou pouco: a Advocacia-Geral da União recorreu da decisão e obteve a suspensão do benefício. Sem previsão de nova análise pelo processo, os pais de Maria Isabela ficaram sem saber quando — ou se — o remédio voltará a ser custeado pelo poder público.

“Eu ganhei o processo judicialmente. A União é obrigada a pagar a medicação, mas eles entraram com recurso e o desembargador suspendeu a decisão. Os médicos da própria junta médica da União afirmaram, com base nos exames, que ela realmente necessita desse medicamento. Mesmo assim, o desembargador suspendeu, e agora não há data para o processo voltar a ser julgado”, conta Daniela Cristina Foss Schmidt, mãe da adolescente.

Três doses pela frente e campanha “ainda fraca”

Diante da interrupção, Daniela retomou a campanha de arrecadação via PIX para bancar a próxima aplicação. Das nove doses previstas no tratamento, três já foram aplicadas e estão ajudando Maria Isabela no processo de cura — todas conseguidas também por meio de doações da comunidade. Agora, restam três doses, aplicadas a cada 21 dias, e é para garantir essa sequência que a família pede ajuda.

“Não sei quanto tempo vai levar até a gente conseguir ter essa medicação em mãos. Eu iniciei novamente a campanha, com vaquinha. Algumas pessoas estão ajudando, mas ainda está fraco”, relata a mãe.

Paralelamente à mobilização financeira, a família também trabalha para reverter a decisão que suspendeu o fornecimento pela via judicial. Um novo pedido está sendo preparado, com documentos adicionais e um relatório atualizado da hematologista responsável pelo caso.

“O meu advogado vai entrar com um novo pedido. Vamos reunir mais documentos, e a médica vai fazer um novo relatório para comprovar a necessidade do caso dela, mostrando que a vida dela depende dessa medicação”, explica Daniela.

Ainda assim, não há garantias de que a Justiça se manifeste antes do prazo de 19 de agosto. “Eu chorei muito, é revoltante”, desabafa.

“Estamos reunindo novas provas e um relatório detalhado da hematologista mostrando que a vida dela depende dessa medicação. Mas esse processo leva tempo, e ela não pode esperar. A doença não espera, e precisamos cumprir o prazo para que ela receba a medicação com segurança”, acrescenta.

Médico de Joinville se envolve no caso e institui parceria

O caso de Maria Isabela chamou a atenção do médico Rafael Dahmer Rocha, radiologista e diretor técnico do Instituto SARAR (São Rafael Arcanjo), organização não governamental de saúde sediada em Joinville. O instituto atua com prevenção ao câncer, triagem oncológica, check-ups e ações sociais voltadas a pacientes de baixa renda, mantendo-se por meio de doações da comunidade.

Sensibilizado com a história da adolescente, o médico se comprometeu a auxiliar no tratamento, complementando os valores que ainda faltarem para garantir a compra das doses restantes. A ajuda, no entanto, depende também da própria capacidade de arrecadação do Instituto SARAR, que segue precisando de doações da população para sustentar suas ações sociais e de apoio a pacientes como Maria Isabela.

O que é o Linfoma de Hodgkin

O Linfoma de Hodgkin é um câncer que atinge o sistema linfático, estrutura responsável pela defesa do organismo. Embora tenha altas taxas de cura quando tratado corretamente, alguns pacientes — como Maria Isabela — precisam de terapias específicas que ficam fora da lista de medicamentos disponibilizados pelo SUS.

No caso da adolescente, a própria junta médica da União reconheceu, segundo relatos da família, a necessidade do brentuximabe vedotina para o tratamento. Mesmo assim, o recurso apresentado pela Advocacia-Geral da União levou à suspensão do fornecimento até que um novo julgamento seja realizado — sem data definida.

Como ajudar

Doações para custear o tratamento de Maria Isabela podem ser feitas via PIX, para a chave 027.418.520-22, em nome de Daniela Cristina Foss Schmidt, Banco Bradesco.

A família faz um alerta importante: essa é a única forma oficial de arrecadação em nome de Maria Isabela. Não existe rifa, site, link ou outra chave PIX autorizada além dessa. Qualquer outra iniciativa de arrecadação que circule em nome da menina, sob outro formato ou canal, deve ser tratada como golpe.

Segundo a família, qualquer valor contribui para aumentar as chances de que as três doses restantes sejam aplicadas dentro do intervalo de 21 dias recomendado pelos médicos.

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