Encontro também contou com a Reunião Censitária Estadual do 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola, realizada pelo IBGE
Por Observatório Agro Catarinense
O Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri (Epagri/Cepa) apresentou, nesta terça-feira (29), as Estimativas da Safra Catarinense de Verão 2026/2027, com projeções para arroz, banana e tabaco. O evento foi realizado no Auditório da Epagri, em Florianópolis, e contou com a participação do IBGE, que realizou, na ocasião, a Reunião Censitária Estadual do 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola.
Para o gerente da Epagri/Cepa, Dilvan Luiz Ferrari, a reunião das instituições permitiu integrar diferentes fontes de informações sobre o setor agropecuário. “A aproximação entre instituições que têm papel relevante na produção e organização dos dados agropecuários possibilita uma visão mais precisa e qualificada da realidade catarinense, contribuindo para o acompanhamento da produção e para o planejamento estratégico do setor”, destacou.
Perspectivas climáticas colocam safra catarinense em alerta
A programação também contou com a Epagri/Ciram, que apresentou uma atualização sobre o El Niño 2026/2027 e seus possíveis impactos na agricultura do Sul do Brasil. Segundo a meteorologista Marilene de Lima, o fenômeno já está configurado e deve atingir intensidade muito forte durante a primavera e o início do verão. Com isso, Santa Catarina deve registrar chuvas acima da média, com totais que podem chegar a três vezes o esperado em outubro e novembro.
“É importante que os produtores rurais acompanhem as previsões divulgadas pelos órgãos oficiais, especialmente durante os períodos de maior influência dos fenômenos climáticos sobre as atividades agrícolas”, ressalta.
De acordo com o analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural da Epagri/Cepa Henrique Oldoni, o excesso de umidade pode atrasar o plantio, favorecer doenças e reduzir as janelas para manejo e colheita, com impactos sobre as produtividades. “O cenário exige planejamento da safra, o que envolve a escolha da cultura, da cultivar, do nível tecnológico e das datas de plantio e tratos culturais, além de atenção redobrada às práticas de conservação do solo para reduzir perdas e prejuízos”, explica.
Metodologia
As estimativas são elaboradas por assistentes de pesquisa que coletam dados junto a informantes das principais regiões produtoras do estado. Entre esses colaboradores estão extensionistas da Epagri, cooperativas, prefeituras, sindicatos, bancos e outras instituições ligadas ao meio rural.
Após a coleta, os dados passam por análise estatística, que permite avaliar variações na área plantada, produção e produtividade e comparar as estimativas iniciais e finais com os números da safra anterior. Reuniões técnicas com pesquisadores que acompanham os mercados de cada produto complementam o processo.
Arroz
A área plantada de arroz em Santa Catarina deve permanecer praticamente estável, estimada em 143.396 hectares, alta de 0,01% em relação à temporada anterior. A produtividade média estadual é projetada em 8.501 kg/ha, redução de 5,8%, e a produção deve alcançar 1,22 milhão de toneladas, também com queda estimada de 5,8%.
A microrregião de Araranguá lidera a produção, com 501,97 mil toneladas, seguida por Criciúma (185,23 mil t), Joinville (143,61 mil t), Tubarão (122,52 mil t) e Rio do Sul (103,59 mil t). Em área cultivada, Araranguá concentra 40,8% do total, seguida por Criciúma (15,3%), Joinville (12,1%), Tubarão (11%) e Rio do Sul (7%).
No mercado, o preço médio parcial do arroz em setembro em Santa Catarina está em R$ 70,18 por saca de 50 kg, valor 7,85% superior ao de agosto. A evolução da safra e dos preços será acompanhada ao longo do ciclo, considerando as condições climáticas e o andamento do calendário agrícola.
Banana
Para a safra 2026/27, Santa Catarina estima 29.384 hectares de área colhida de banana, aumento de 0,7% em relação à safra anterior. A produtividade média deve crescer 0,4%, passando de 26.411 para 26.503 kg/ha, com destaque para as microrregiões de São Bento do Sul (32.441 kg/ha), Blumenau (30.797 kg/ha) e Itajaí (30.472 kg/ha).
A produção estadual está estimada em 778.778 toneladas, alta de 1,1% frente às 770.648 toneladas da safra 2025/26. Joinville concentra a maior parcela, com 365.044 toneladas, seguida por Blumenau (159.712 t), Itajaí (121.280 t) e Araranguá (92.999 t). A microrregião de Joinville também lidera em área colhida, com 12.445 hectares, o equivalente a 42,4% do total estadual. As estimativas não consideram possíveis efeitos adversos das condições climáticas e meteorológicas.
Tabaco
As perspectivas para a safra de tabaco 2026/27 exigem cautela. A área plantada é estimada em 97.437 hectares, redução de 1,33% em relação ao ciclo anterior. Em muitas regiões, a área deve permanecer próxima à da safra passada, enquanto a instabilidade em outras atividades agropecuárias contribui para manter o interesse pela cultura. Também há registro de antecipação do plantio em algumas regiões, o que aumenta a exposição das lavouras a geadas, frio intenso, excesso de umidade e dificuldades no desenvolvimento inicial.
A produtividade média estadual é estimada em 2.414 kg/ha, avanço de 3,83%, e a produção deve alcançar 235.202 toneladas, crescimento de 2,46%. Os resultados, porém, ainda dependem das condições climáticas ao longo do ciclo. Canoinhas concentra 40,57% da área estimada, seguida por Ituporanga (15,07%) e Rio do Sul (14,42%). A estimativa de área plantada será atualizada em novembro, quando a Afubra divulgar os dados da safra.
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