O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, na última quinta-feira, em Montes Claros, Minas Gerais, que o SUS vai passar a oferecer as chamadas canetas emagrecedoras. Mas a promessa, feita a duas semanas do primeiro turno das eleições, ainda está longe de se concretizar.
O governo não informou quanto a medida vai custar, quando ela vai começar, nem quem terá direito ao tratamento. A proposta também não constava do plano de governo do presidente e não foi publicada no Diário Oficial da União.
Para chegar à população, os remédios ainda precisam passar pela avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias do SUS, a Conitec, que tem até 180 dias — prorrogáveis por mais 90 — para decidir. A próxima reunião do órgão está marcada para o dia 7 de outubro, já depois do primeiro turno, e ainda não há confirmação de que o tema entrará em pauta.
Entidades médicas, como a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia, cobram uma política pública para obesidade há anos e veem o anúncio com desconfiança pela proximidade da eleição.
O único passo concreto até agora é um estudo-piloto com cerca de 250 pacientes em Porto Alegre, cujos resultados completos só devem sair em 2027.
Em 2025, a Conitec já havia recomendado não incorporar a semaglutida ao SUS, citando um custo estimado entre 2,6 e 4,6 bilhões de reais em cinco anos. Desde então, o fim da patente da Novo Nordisk reduziu os preços dos medicamentos em até 70%, mas especialistas alertam que a medida ainda não tem fonte de financiamento definida no Orçamento.
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