A disputa pública entre o senador Jorge Seif (PL-SC) e a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC) é o capítulo mais recente de um racha que já dura meses dentro do Partido Liberal catarinense.
O epicentro da briga é a pré-candidatura de Carlos Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, a uma vaga do Senado por Santa Catarina — projeto que Seif defende abertamente e que Campagnolo classifica como prejudicial ao “projeto da direita catarinense”.
O lado de Jorge Seif
Em vídeo publicado nas redes sociais, Seif afirmou não ser candidato nas eleições deste ano e ironizou as críticas da deputada, dizendo que ela deveria “guardar o veneno” para sua eleição de 2030. Em episódios anteriores da polêmica, o senador também descreveu Campagnolo como alguém que “não era nada até ontem, que era professora, e agora tá se achando líder da direita em Santa Catarina, falando mal do filho do presidente”, fala que gerou reação de sindicatos e associações de professores. Seif já chegou a chamar a deputada e outros críticos de “cambada de traidor” da tribuna do Senado, acusando parlamentares que hoje se afastam de Bolsonaro de ingratidão.
Resposta à deputada @ana… ou melhor, Joice Catarinense 👍 pic.twitter.com/vvAJklPvLK
— 🇧🇷 Jorge Seif Junior (@jorgeseifjunior) August 4, 2026
O lado de Ana Campagnolo
Do outro lado, Campagnolo tem sido igualmente contundente. Ela já classificou a atuação de Seif como “lamentável” e chegou a chamá-lo de “o senador mais incompetente do Brasil” em entrevista de rádio. Em resposta às acusações de traição, rebateu dizendo “Eu sempre fui mais macho que esse senador. Ele não gosta de mim há tempos, porque já disse isso na cara dele”. Também ironizou o fato de o PL catarinense ter, segundo ela, três nomes disputando apenas duas vagas ao Senado, questionando a coordenação do grupo aliado a Seif. Em outra ocasião, resumiu o senador como “filho 06 do Bolsonaro”, numa referência ao apelido dado por Bolsonaro aos aliados mais próximos.
Seif x Ana
O conflito reflete uma divisão maior dentro do bolsonarismo em Santa Catarina: de um lado, um grupo — que inclui Seif e setores ligados ao governador Jorginho Mello — defende alinhamento total às indicações da família Bolsonaro, incluindo a candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado. Do outro, Campagnolo e aliados como o deputado federal Jorge Goetten argumentam que o PL catarinense “não deve ser comandado de fora do estado” e resistem à ideia de um candidato que não é natural de Santa Catarina.
Vale notar que Campagnolo foi a deputada estadual mais votada de Santa Catarina em 2022, o que fortalece sua posição de barganha dentro da disputa interna, mesmo enfrentando pressão de nomes influentes do bolsonarismo, incluindo Eduardo Bolsonaro, que também já a criticou publicamente.
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