Ex-prefeito de Lages, ex-deputado federal, ex-senador e ex-governador de Santa Catarina, sendo o primeiro governador catarinense reeleito ainda no primeiro turno, Raimundo Colombo esteve nesta semana no estúdio da Rádio Nossa FM 99.9, em Jaraguá do Sul.
Em ano eleitoral e em atendimento ao que determina a legislação eleitoral, a equipe de jornalismo da emissora conversou com o pré-candidato a deputado federal sobre sua trajetória na política catarinense e os planos para um eventual novo mandato em Brasília.
Um retorno movido pela falta de renovação
Colombo explicou que já havia se afastado da disputa direta, buscando atuar como conselheiro político, mas decidiu voltar a ser candidato diante da ausência da renovação que esperava ver na representação catarinense. Segundo ele, a decisão nasce do desejo de colocar à disposição o aprendizado acumulado ao longo de décadas de vida pública.
“Eu já tinha ficado mais na reserva, tentando ser um conselheiro, mas, infelizmente, não houve a renovação que a gente lutou tanto para que acontecesse”, afirmou Colombo.
O pré-candidato defende que Santa Catarina precisa de uma bancada qualificada em Brasília para reconstruir pontes com o Governo Federal, algo que, na avaliação dele, ficou fragilizado em gestões estaduais recentes que entraram em atrito com o governo federal, independentemente do partido no poder.
PSD aposta em chapa cheia e experiência
Colombo também comentou a estratégia do PSD para a eleição deste ano em Santa Catarina. O partido registra 17 pré-candidaturas a deputado federal e aposta em levar a Brasília uma representação experiente e madura. Ele lembrou ainda que o PSD é hoje a legenda com mais prefeitos eleitos no país, o que deve se traduzir em uma bancada federal numerosa e com maior capacidade de articulação no Congresso Nacional.
“Nós estamos com chapa cheia, são 17 pré-candidatos e a nossa ideia é levar para Brasília uma representação experiente, madura, pronta para contribuir”, disse o pré-candidato.
Reforma tributária: “não estamos preparados”
Um dos pontos centrais da entrevista foi a posição de Colombo sobre a reforma tributária. Para ele, o texto aprovado representa uma mudança radical, sem estudo aprofundado, na forma como o país tributa a produção e o consumo, uma transição que, segundo avalia, prejudica especialmente estados pequenos e industrializados como Santa Catarina, que responde por apenas 1,1% do território nacional e 3% da população, mas concentra um parque industrial relevante.
O pré-candidato defende a postergação dos efeitos da reforma e uma negociação mais ampla, citando como exemplo os impactos sobre setores como o agroindustrial, dependente da importação de grãos de outras regiões do país, e sobre grandes empresas catarinenses, cuja contribuição tributária tende a se diluir no novo modelo baseado na tributação do consumo. Ele também alertou para os riscos à vocação portuária do Estado, hoje voltada à importação e exportação.
“Nós temos que fazer uma postergação e aprofundar a discussão que foi votada sem ter um estudo profundo, sem uma avaliação mais adequada. Implantar do jeito que dá para Santa Catarina é um desastre”, declarou Colombo.
Diálogo como resposta à polarização
Ao final da conversa, Colombo defendeu a superação da polarização política por meio do diálogo com lideranças de diferentes posições. Para ele, a política se faz com compreensão e coragem para mudar, não com radicalismo, e o critério mais importante para avaliar um mandato deveria ser aquilo que efetivamente é entregue à população, como melhorias em postos de saúde, pontes e escolas.
“Eu nunca vi briga política construir um hospital, uma ponte, uma escola, desenvolver uma cidade. Eu vi atrapalhar”, resumiu.
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